Clinica Universitária

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Actualizações diárias de acontecimentos e progressos na área de medicina

HCM recebe aparelho para rastreio de cancro

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) ofereceu um aparelho de ecografia e sonografia mamária à Unidade da Mama do Hospital Central de Maputo (HCM), cujo benefício principal será a redução do tempo de espera por exames por parte dos pacientes. Segundo o administrador executivo da ENH, Lovemore Chibaya, o apoio ao Sistema Nacional de Saúde (SNS), em particular à Unidade da Mama, insere-se nas festividades do Mês da Mulher e é parte das acções de responsabilidade social e corporativa da ENH. O médico cirurgião e director da Unidade da Mama, Jotamo Come, explicou que aquele aparelho vai reforçar a capacidade de resposta à demanda pelo diagnóstico e tratamento, não só do cancro da mama como também de outras patologias de fórum oncológico, como o cancro do colo do útero. “Com este novo ecógrafo, estaremos em condições de atender a mais pacientes em pouco tempo. Recebemos por semana perto de 100 doentes de cancro da mama e mais de 150 pacientes com outros tipos de cancro que também poderão beneficiar deste equipamento,” explicou. Fonte: Folha de Maputo

COM DOAÇÃO DE MEDICAMENTOS: País fortalece capacidade de tratamento de doenças

MOÇAMBIQUE acaba de elevar a sua capacidade de tratamento de várias doenças, mercê de uma doação do Governo da Índia, que vai contribuir para a melhoria dos cuidados de saúde da população. O apoio surge num contexto em que o sector da Saúde ressente-se da falta de alguns fármacos nas unidades sanitárias, estando, actualmente, a reorganizar-se e a racionalizar os recursos existentes para garantir a continuidade dos serviços. A informação foi tornada pública, terça-feira, em Maputo, pelo ministro da Saúde, Ussene Isse, e o ministro indiano dos Negócios Estrangeiros, Shri Kirti Vardhan, no lançamento da campanha de doação de 1200 próteses de membros inferiores, no âmbito do projecto Índia para a Humanidade, uma iniciativa de solidariedade, cooperação e promoção da dignidade humana. Isse referiu que a actividade está inserida na comemoração dos 50 anos da independência, acrescentando que nos próximos 60 dias muitos pacientes que perderam membros devido a traumas, na sua maioria por acidentes de viação e doenças como as diabetes, passarão por reabilitação física, emocional e social. O ministro indiano apontou que a acção reforça os laços de amizade, de mais de 50 anos, entre os dois países e contribui para transformar e melhorar a vida dos pacientes e prestação de cuidados de saúde. Recordou que a Índia mantém o seu apoio também em contexto adverso, tal como o fez durante a Covid-19, em que doou imunizantes para o controlo da doença e aquando do ciclone Idai, altura em que ofereceu medicamentos e alimentos para as vítimas. Por sua vez, o director do HCM, Mouzinho Saide, apontou que só no ano passado foram realizadas 1007 consultas de casos novos, em que 175 tinham problemas de amputação, e outras relacionadas a doenças neurológicas, ortopédicas e traumatológicas. Paulo Chambule, um dos beneficiários, agradeceu o gesto, que considera importante para a melhoria da vida dos pacientes que, por diversos motivos, perderam os membros inferiores.

Médicos capacitados em cirurgia ortopédica

Cinquenta médicos participaram de 28 a 30 de Abril numa formação sobre patologias do pé e tornozelo no Hospital Central de Maputo. Trata-se de especialistas e residentes em Ortopedia e Medicina Física e Reabilitação. A iniciativa foi promovida pela Associação Moçambicana de Ortopedia e Traumatologia (AMOT), em parceria com o Colégio de Cirurgiões da África Oriental, Central e Meridional (COSECSA) e a Sociedade Europeia de Cirurgia do Pé e Tornozelo (EFAS), com o objectivo de actualizar conhecimentos numa área com crescente interesse clínico. Segundo António Assis da Costa, presidente do Colégio de Ortopedia, a formação visa preparar médicos para integrar equipas multidisciplinares, melhorando a resposta a patologias complexas como o pé diabético, artrose e lesões traumáticas. A actividade antecedeu o congresso da AMOT, agendado para hoje e amanhã.

“Anjos brancos” reanimam paciente em pleno voo da LAM

Dois médicos moçambicanos reanimaram um paciente que teve paragem cardíaca em pleno voo. O avião saía de Maputo para Pemba, mas teve de aterrar de emergência em Nampula. Naquela voz típica do pessoal de tripulação que se ouve pelos altifalantes, o jovem comandante Norton Nhantumbo anunciava aos seus passageiros que a aeronave (Boeing 737/700) estava a sobrevoar o espaço aéreo da cidade de Quelimane. Era o voo TM172 do dia 24 de Abril de 2024. O voo saía de Maputo com destino à cidade de Pemba, e a viagem era agradável. Tudo muda quando, por volta das 13h00, um passageiro começa a convulsionar, morde a língua e entra em paragem cardíaca. O pânico toma conta dos passageiros, sobretudo os que estavam nos assentos próximos. Os assistentes de cabine accionam no telefone do avião e informam a tripulação sobre o que estava a acontecer e aguardam por uma tomada de decisão imediata. “A partir do momento em que tomámos conhecimento de estar a ocorrer uma emergência médica a bordo, preparamo-nos para os diferentes cenários possíveis e estudamos rapidamente as opções que temos. A acção final a tomar dependerá sempre de alguns factores: a evolução do estado do passageiro, a posição em que nos encontramos em relação ao voo. O objectivo é que o passageiro tenha a melhor assistência médica possível, o mais rápido possível”, descreve o comandante, falando em exclusivo ao nosso jornal. O avião estava a uma altitude equivalente a 11 900 metros (quase 12 km). O comandante Norton era coadjuvado pelo co-piloto Djair Faquirá, a chefe de cabine era Manuel Chitata e as assistentes de bordo Amélia da Cruz e Nilza Balate. Todos tinham de tomar uma decisão concertada. “A tripulação de cabine tudo fez para que rapidamente o passageiro tivesse a ajuda de que necessitava”, diz o comandante, mas, no meio dessa operação de emergência, surge a ideia de perguntar se entre os passageiros havia profissionais de saúde. “O facto de ter médicos a bordo é tranquilizador, porque, embora os nossos colegas (tripulação de cabine) tenham formação em primeiros socorros, a ajuda de profissionais da área da saúde é sempre bem-vinda, deixa-nos mais confortáveis e certos de que o passageiro terá a melhor assistência possível, dentro das condições específicas de um voo”, detalha. É nesse momento que dois personagens entram em cena: o médico gineco-obstetra Dinis Viegas Manuel e o médico internista Calima Muagerene que se prontificam a ajudar a reanimar o passageiro que virara paciente. “Quando nos pediram socorro, eu e o meu colega dissemos ‘vamos ajudar o doente’. Teve uma paragem cardiorespiratória clássica”, explica o Dr. Calima, e o seu colega o Dr. Dinis detalha que “tínhamos que abrir as vias aéreas porque ele tinha mordido a língua e por via disso também fechou as vias aéreas, então não conseguia respirar. Tivemos de o colocar na posição lateral enquanto o colega iniciava as manobras de massagem cardíaca. Eu fui junto ao pessoal de cabine, identificamos a caixa de emergência que eles tinham e identificamos alguns medicamentos que são utilizados para a reanimação e fizemo-lo.” A operação durou cerca de dois minutos – tempo que, se se tivesse perdido, podia ter resultado em óbito. O passageiro/paciente ganhou consciência, mas continuava agressivo, pelo que o comandante Norton decidiu levar o aparelho a aterrar de emergência no aeroporto de Nampula, às 13h28, para que o paciente tivesse uma assistência especializada que acabou acontecendo, ao cuidado do Dr. Frederico, o médico neurologista afecto ao Hospital Central de Nampula – aliás, os dois “anjos do avião” também estão afectos a esta unidade sanitária e iam reforçar a equipa do Hospital Provincial de Pemba. O paciente é um docente universitário que tem um histórico de ataques de epilepsia. Com tudo controlado, o comandante Norton Nhantumbo – há 11 anos na aviação civil – decidiu promover os dois médicos da classe económica para a executivo, de Nampula a Pemba. “O comandante do voo acabou por tomar esta decisão de passarmos da classe económica para a executiva para mim e o meu colega, e assim se efetuou”, anotou o médico internista, com risos à mistura, não só por ter terminado a viagem na melhor posição no avião, como também pelo final feliz que fez jus ao slogan do Ministério da Saúde: o nosso maior valor é a vida.

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